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Agricultores afetados por crise climática obtêm recuperação judicial

Queda no valor do milho e da soja e pandemia de Covid-19 também agravaram dificuldades financeiras dos produtores.

Da Redação

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Atualizado às 11:51

Produtores rurais que enfrentam severa crise econômica decorrente da queda nos preços de commodities e fatores climáticos adversos obtém recuperação judicial. Decisão é do juiz de Direito Eduardo Guimarães de Morais, da 1ª vara judicial de Caiapônia/GO, visando garantir a continuidade das atividades dos agricultores.

O pedido foi feito com fundamento na lei de recuperação e falências (lei 11.101/05). Os produtores afirmaram que atuam na produção de soja e milho desde 2016 e que, apesar da viabilidade das operações, enfrentam dificuldades financeiras devido ao aumento dos custos operacionais e à instabilidade do mercado agrícola.

De acordo com o processo, os produtores rurais possuem passivo significativo, oriundo de financiamentos e dívidas com fornecedores. A crise foi agravada pela pandemia de Covid-19 e por perdas de safra entre 2020 e 2023.

Eles alegaram que a recuperação judicial é essencial para a manutenção das atividades e o pagamento dos credores, argumentando que "o caixa [...] atualmente está em grave situação de insolvência".

 (Imagem: Dirceu Portugal /Fotoarena/Folhapress)

Juiz determinou recuperação judicial de produtores de soja e milho afetados por crise climática e econômica. (Imagem: Dirceu Portugal /Fotoarena/Folhapress)

Ao analisar o caso, o magistrado constatou que os requerentes atendem aos requisitos da lei 11.101/05 para requerer recuperação judicial, incluindo o tempo mínimo de atividade de dois anos e a inexistência de falência decretada ou recuperação judicial anterior nos últimos cinco anos.

O juiz determinou a nomeação do administrador judicial e fixou prazo de 60 dias para a apresentação do plano de recuperação judicial.

Ainda, decidiu pela suspensão das execuções e cobranças por um período de 180 dias, garantindo a manutenção das atividades da propriedade rural e autorizou a consolidação substancial do processo, ou seja, os bens e passivos do casal serão tratados como pertencentes a um único devedor.

Outro ponto de destaque foi o reconhecimento da essencialidade de diversos maquinários agrícolas utilizados pelos produtores, determinando que esses bens não poderão ser apreendidos durante o prazo de proteção judicial. A lista inclui colheitadeiras, tratores, plantadeiras e pulverizadores, considerados indispensáveis para a continuidade da produção agrícola.

Previsões

Segundo o advogado Leandro Amaral, da banca Amaral e Melo Advogados, que representa os produtores rurais, as dívidas acumuladas somam aproximadamente R$ 80 milhões.

Ele também destacou que, segundo dados do Serasa, Goiás foi o segundo Estado com maior número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio em 2024. A expectativa, segundo ele, é que essa tendência continue em 2025.

Por meio da recuperação judicial, defende Leandro, "os produtores conseguem superar a crise e retomarem o crescimento do seu negócio, contribuindo para o desenvolvimento do agronegócio em Goiás e, principalmente, conseguindo cumprir com as suas obrigações perante os seus credores, mantendo o seu legado familiar no segmento".

Veja a decisão.

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